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Cientistas preparam segunda fase de coleta de dados da Torre Alta da Amazônia

  • Publicado: Quarta, 19 de Julho de 2017, 14h37
  • Última atualização em Quarta, 19 de Julho de 2017, 14h40
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O Observatório de Torre Alta da Amazônia (Atto, na sigla em inglês) monitora os impactos das mudanças climáticas globais na floresta ao medir as interações com a atmosfera. A infraestrutura de 325 metros de altura se localiza na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, a 150 quilômetros em linha reta de Manaus (AM), e existe graças à parceria entre Brasil e Alemanha, com investimento inicial de R$ 26 milhões.

Segundo o biólogo Adalberto Luis Val, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o Ministério Federal da Educação e Pesquisa da Alemanha (BMBF, na sigla em alemão) aprovou uma proposta de 6 milhões de euros para a segunda etapa do projeto, de 2017 a 2019. "Para esta nova fase, ainda não há previsão de contrapartida nacional", disse, em mesa-redonda da 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). "O Brasil precisa viabilizar um apoio à altura para 2018, e a comunidade científica envolvida tem que ser ouvida, a fim de verificar as atuais necessidades", alertou.

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) sustentou a maior parte da contrapartida brasileira na primeira fase do Atto, de 2009 a 2016, com aporte de R$ 12 bilhões pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). "Os recursos ainda não foram totalmente alocados, mas tiveram um papel importante na construção das torres e na aquisição dos veículos", informou Val. "A parcela ainda não executada foi prorrogada até dezembro de 2018, quando poderemos finalizar toda a parte de infraestrutura."

A Torre Atto é um experimento coordenado pelo Inpa, unidade de pesquisa do MCTIC, em conjunto com os institutos alemães Max Planck de Química e Max Planck de Biogeoquímica. Inaugurado em 2015, o projeto já publicou 52 artigos científicos em torno do estudo do clima na Amazônia. "No momento, temos 99 brasileiros e 88 estrangeiros, a maioria deles alemães, entre pós-doutores, alunos de pós-graduação, pesquisadores e técnicos", comentou Val.

Instrumental de última geração

De longo prazo, o Atto deve monitorar o clima na Amazônia durante 30 anos, por meio da coleta de dados sobre os processos de troca e transporte de gases entre a floresta e a atmosfera. O complexo é composto por mais duas torres de 80 metros, que, desde 2012, fazem medições de aerossóis e dos parâmetros do tempo, como temperatura, vento e radiação solar, em alta resolução. O observatório principal ainda possibilita pesquisas inéditas de química da atmosfera, processos de transporte de massa e energia na camada limite atmosférica e processos de formação e desenvolvimento de nuvens.

Na mesa-redonda, a física Luciana Rizzo, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), relatou parte da pesquisa desenvolvida no Atto. "Por que estudar a atmosfera na Amazônia?", questionou. "Bom, a atmosfera é bastante peculiar na Amazônia porque ainda guarda características semelhantes àquela da era pré-industrial na zona continental. Numa atmosfera bastante limpa, a gente encontra poucas fontes antrópicas de emissões de poluentes. Então, a gente precisa conhecer e caracterizar essa região, com pouca interferência do homem, até para ter uma base da magnitude dessa interferência."

Ex-secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTIC, o climatologista Carlos Nobre abordou formas de a cooperação internacional contribuir para consolidar a capacidade científica da Amazônia, ao descrever sua concepção de um laboratório perfeito, a exemplo do Atto, a partir da experiência da reunificação da Alemanha, em 1990. "A ciência e tecnologia da antiga Alemanha Oriental era muito defasada em relação ao resto do mundo. Então, o país fez um programa de criação de inúmeros institutos, mais de 20, do zero. Quando iniciamos o LBA [Experimento de Larga Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia], não existia o Max Planck de Biogeoquímica, que hoje é um dos líderes desse observatório pelo lado europeu."

Segundo Nobre, o modelo alemão pode ser aplicado para que países em desenvolvimento se apropriem da ciência para o seu desenvolvimento. "Eu sempre me perguntei: por que não podemos fazer isso no Brasil? O que os experimentos internacionais poderiam legar para capacitar a Amazônia como um todo?", sugeriu. "Uma coisa fundamental [no caso nacional] seria fixar pesquisadores de altíssimo gabarito na região. Para que isso aconteça, eles precisam de uma perspectiva de carreira e vida, mesmo com mobilidade. A ideia é que sirvam como elemento de ligação com a melhor ciência."

Outras propostas de Nobre dizem respeito a associar o "laboratório internacional perfeito" a programas locais de pós-graduação, tarefa cumprida pelo Atto; estabelecer parcerias com centros avançados no Brasil e no exterior para capacitação de pessoas; buscar a liderança de pesquisadores da Amazônia na maior parte dos trabalhos científicos; e viabilizar um apoio institucional de longo termo que assegure a continuidade e a consolidação do experimento, inclusive em relação à infraestrutura necessária.

 

 Fonte: MCTIC

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